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Lê Diner e “confort food”.

16 16UTC janeiro 16UTC 2010 Deixe um comentário Ir para os comentários

É fácil fazer comida simples! Ultimamente eu tenho feito uma busca pela frugalidade gourmand, ainda admiro a complexidade das reduções e intercâmbio de sabores, aromas e texturas da contemporânea cozinha, entretanto tenho procurado um espaço para a simplicidade.

O problema é a dificuldade em ser simples! Contraditório? Não exatamente, muitas pessoas confundem simplicidade com facilidade, ser simples requer critérios muito bem elaborados e uma ativa perseguição pela qualidade, ou seja, é o mesmo que boa cozinha! Já cozinha fácil é aquela que em minutos transforma restos de pães e tomates em uma bruscheta fantástica. Porém, enquanto seja possível ser simples e fácil, nem sempre é fácil ser simples!

Partindo desse raciocínio e amparado em algumas leituras que decretam 2010 como o ano da “confort food” e o início da decadência da “molecular gastronomy” (já vai tarde), parti na busca do moderninho “almoço executivo”. Afinal quem, hoje em dia, pode se dar ao luxo de perder 2horas em um almoço fenomenal? Grandes chefs perceberam que fazer comida confortável na hora do almoço é uma boa idéia e as pessoas querem comer bem, só não podem perder todo o começo da tarde para isso!

O almoço executivo padrão é o “remake” do saudoso PF (Prato Feito) dos trabalhadores de outrora, revestidos de um caráter gastronômico interessante, devem ser rápidos na execução e genuinamente cativantes ou seja simples! Este tipo de cozinha é uma resposta estritamente mercadológica. Por isso muito me impressiona a qualidade que algumas casas atribuíram a sua execução, um longo caminho do velho bife acebolado!

O Lê Díner foi escolhido como caso típico, um restaurante já consagrado por sua conteporaneidade, executando peripécias gastronômicas avançadas, resolveu partir para a agilidade do almoço, as pessoas modernas talvez disponham de 30minutos à 1hora para almoçarem e buscam qualidade nesse tempo! Os francos adeptos da slow food se descabelam com o que representa esse tempo de execução e o Lê Díner é slow por excelência, um de seus salões chama-se espaço slow food!

Cabe uma pequena nota quanto ao slow food, o problema não é a velocidade de execução do prato, como muitos pensam, mas na padronização dos alimentos de maneira a inibir a cultura gastronomica regional, slow food é, portanto, a aplicação da ecogastronomia. Agora tentar executar um prato rápido sem alguma padronização é um desafio!

Sendo assim, 3 escolhas de carnes e 3 acompanhamentos formam as “opções” do almoço do Lê Díner, acredito que a chef Thais tenha buscado um pé nos clássicos pratos feitos na escolha das guarnições, o arroz e feijão são a base formal do almoço brasileiro, feijão muito bem cozido em caldo grosso e sem interdições regionalistas, afinal nenhum feijão é igual ao da mamãe e toda mamãe tem um ingrediente diferente para o tempero, melhor não brigar com a mãe de ninguém e deixar o prato só no sal. Gostei.

O terceiro acompanhamento fixo pode ser uma salada verde ou uma seleta de legumes cozidos no vapor, simples ao extremo! (Outro motivo do Lê Díner ser meu estudo de caso para esse texto). Ainda há um quarto acompanhamento que muda de acordo com a chef, mas é normalmente uma farofa de algum tipo. A carne pode ser um escalopinho, um fillet de frango e um peixe, grelhados a contento.

Impossível ser mais simples que isso! Muito me agradou o efeito, o problema foi conseguir misturar um fillet de pescada amarela maravilhoso na manteiga de ervas com um feijão, farinha de ovos e arroz… Acho que peixe poderia ser acompanhado de algo diferente… Mas para a carne e para o frango acho que seria perfeito.

  1. 16 16UTC janeiro 16UTC 2010 às 03:28 | #1

    No dia que fui, tinha um purê de abóbora muito saboroso, mas também distoava um pouco do peixe. To achando que o peixe nem precisa de acompanhamento extra, a salada verde e o arroz já dão de conta muito bem.

  2. 18 18UTC janeiro 18UTC 2010 às 19:25 | #2

    Muito saboroso… Que coisa maxo, diga logo que é ducaraio! Distoava… tsc tsc, não faz teu feitio.

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